Precisamos falar sobre o EP "berli(m)possível"



Maio está sendo um daqueles meses que em que não se pode piscar os olhos que tem gente lançando música boa. E eu poderia bater cartão, aqui, todo dia para indicar um álbum novo, mas prefiro falar do que me tira de toda e qualquer zona de conforto. Lançado esse mês, pela baiana (residente em Berlim) nana, o EP "berli(m)possível" me ficou meio engasgado. Engasgado de forma positiva, tive/tenho a impressão de que o EP reavivou todos os clichês afetivos que me batem quando me distancio de algo ou alguém. Distanciar-se de casa, de um amor, de você mesmo, o berli(m)possível nos traz a perspectiva de auto imersão, de reavaliar distâncias geográficas e afetivas. Com quatro faixas, parece-me que nana precisou sair do Brasil para poder explorá-lo musicalmente. Tomei um susto gostoso na introdução da terceira faixa homônima ao EP, assemelhou-se à sensação vivida no carnaval, de estar no meio do Recife antigo e brotar um grupo de caboclos de lança. Em "amor, bicho geográfico" fiquei pensando na pergunta que Monsueto e Arnaldo Passos fazem em "Mora na filosofia", no incrível "Transa" (1972) de Caetano Veloso, "pra quê rimar amor e dor?", porque é impossível dissociá-los, "tá na cara"! Na primeira faixa, "ano novo", passamos todos os 04:40 balançando a cabeça concordando com alguma saudade boa que sempre aparece e é a que mais lembra o "pequenas margaridas", apesar das despedidas e do acréscimo de instrumentos locais. A faixa que encerra o EP, "recomeçar", funciona como se nana nos amarrasse às outras faixas com um laço fofo e nos fizesse repetí-las em looping, ao dizer "é sempre tempo de recomar", mais um clichê necessário aos nosso dias. O "berli(m)possível" é uma ode ao tempo, tempo de repensar distâncias, amores e saudades. Então dá play e faz coral animadinho cantando "que bom, que bom que eu lhe conheci, imagina como eu vou perder você de novo" (é impossível não fazê-lo).

http://www.pequenasmargaridas.com/

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